terça-feira, 30 de dezembro de 2008

Pets na telinha

Mais do que um filme sobre um cachorro indisciplinado, Marley & Eu é o retrato de uma relação sincera entre donos e animais de estimação. Depois de fracassar como repórter, John Grogan acaba se tornando um colunista conhecido por contar as peripécias de seu cão. Após a morte de seu melhor amigo, Marley, Grogan transforma muitos destes artigos em um livro dando origem ao filme. Neste natal, Owen Wilson e Jennifer Aniston trazem direto das páginas para as telas do cinema a aventura que Marley transformou suas vidas. Após emergir nos personagens é inevitável certa identificação, pois quem tem um bichinho em casa sabe que não é fácil, porém é muito prazeroso. Tudo que se escuta no escuro do cinema são as lágrimas dos espectadores que antes mesmo do fim já estão mergulhados no clima todo especial criado por David Frankel, mesmo diretor de O Diabo Veste Prada. Apesar de previsível, o relato real desta família é uma boa dica para quem esta de férias, o labrador que interpreta Marley deu um show e arrancou várias risadas dos que já assistiram o filme.

segunda-feira, 15 de dezembro de 2008

Twitter


Quem não se lembra daquele tempo em que para falar com alguém que estivesse distante era preciso telefonar para um telefone fixo? Se a pessoa em questão estivesse fora do país, só com carta mesmo! Muita gente hoje não dá bola para isto, mas a comunicação avançou séculos em apenas vinte anos.

Passamos de um processo que levava dias, até mesmo semanas, para um meio virtual, simultâneo e instantâneo. Aconteceu, está na internet. E cada ano que passa, este elemento vai sendo lapidado até se tornar o mais breve e acessível possível. Foi o que aconteceu com o Twitter. Surgiu com a idéia de ser um microblog, na tentativa de superar outras redes sociais já em decadência.

No entanto o propósito do site se desviou e tomou outros rumos. Assim como antigamente era árduo mandar informações de outros países para que os jornais aqui transmitissem ao vivo, hoje graças aos sites como Twitter o jornalismo ficou ágil e superou a barreira do tempo. Não que isso seja um fator positivo. Na verdade, há bens que vem para males. O Twitter pode ter aproximado as pessoas em uma escala que Marshall Mcluhan jamais imaginaria. Porém a rapidez afeta a qualidade.

Essa semana, vi cada coisa no microblog que fiquei estupefata. Mataram Dinho Ouro Preto, e até venderam os ingressos para seu funeral, em um dia de tédio. Sem falar no número incalculável de fofocas e intrigas que o site provoca. Não deveria ter a credibilidade que conquistou em tão pouco tempo. Jornais, canais de televisão, até o presidente dos Estado Unidos estão lá com suas notícias e opiniões.

O Twitter é foco do Observatório da Imprensa, de ombudsmans e outras ouvidorias de grupos de comunicação. Manchetes feitas por estagiários pipocam todo segundo no ar. Cada atualização de página é uma história. Quinze minutos de fama para quê, se podemos contar nossa história em 140 caracteres com direito a links na internet? Toda polêmica boa é digna de um lugar decente nos trending topics da página.

Nada mais importa do que ser o primeiro. Dar o furo. Quem falar primeiro não precisa passar um retwitte. Os atrasados são obsoletos  e ficam no passado. A empolgação com o site foi tanta no início que o Twitter está em primeiro lugar das palavras mais buscadas e faladas do ano, segundo a pesquisa do Global Language Monitor. Depois dessa, vem Obama e H1N1. Tamanha dimensão e nenhuma responsabilidade, nenhum controle, onde será que isso vai parar?

Site brasileiro sobre o Twitter: http://www.twitterbrasil.org/

terça-feira, 2 de dezembro de 2008

Ismail Xavier e as telas brasileiras: um paradigma sobre Glauber Rocha

O que Ismail Xavier vem a chamar de cinema moderno, em seu livro Cinema Brasileiro Mordeno (Editora Paz e Terra, R$10,00), nada mais é do que o estilo surgido nos anos 60 que visava debater aquilo que era nacional-popular. Paralelo ao cinema europeu e latino-americano, o recém nascido cinema brasileiro caminhava na direção da problemática do realismo, da militância política e da questão da identidade. Cinema este que estabeleceu diálogo com a literatura nacional e levou ao público grandes obras como, Os Sertões de Euclides da Cunha que virou tema central do filme Deus e o Diabo na Terra do Sol, de Glauber Rocha.

O Cinema Novo engajou-se na política e foi muito estimulado por movimentos culturais do país e de toda a América Latina. Tornou-se crítico e assimilou o espírito do radicalismo dos anos 60. Segundo Xavier, o modernismo dos anos 20 foi uma das inspirações para tais acontecimentos. Neste momento da história que se criou a matriz decisiva da articulação entre nacionalismo cultural e experimentação estática, fatores absorvidos e retrabalhados pelo Cinema Novo. Alguns filmes de autor resultaram e complexos demasiado exagerados, uma vez que se buscava uma arte pedagógica. Então, o cinema de autor ganhou uma feição particular.

Mas aos poucos surgiram desafios aos cineastas. Foi preciso questionar a burocracia da produção e o mito da técnica em nome da liberdade de criação e na incisão da atualidade. Xavier relata que neste momento da história levantou-se a discussão sobre os imperativos de mercado e os problemas de morte ou continuidade do cinema. A estética da fome visava enfrentar o golpe levando a atualidade, o engajamento ideológico e uma linguagem adequada às condições precárias, capaz de exprimir uma visão crítica da experiência social, às telas brasileiras. Já nos anos 80, houve ou adaptação no modo com o qual se produziam os filmes, resultando em um rompimento com a estética da fome e afirmando a técnica e a mentalidade profissional.

Entre 1969 e 1973, imperou no país o Cinema do Lixo, nomeado de marginal algumas vezes, que se traduz em uma postura agressiva, violenta, mas com humor retratando o momento infernal vivido no país. Este cinema foi alvo da censura, era mais ousado no sexo do que o Cinema Novo, tratava mais especificamente do lazer paulista na baixada Santista. Outro ponto de destaque é que este estilo também era uma forma de recusar a reconciliação com os valores de produção dominantes no mercado.

Mais tarde veio a necessidade de afirmar valores, iluminar experiências históricas, rever o passado e trazer pra dentro do cinema a mulher, o negro, o índio, a comunidade religiosa, o burguês nacionalista, todos os que de alguma maneira eram alvo de problemas sociais. A preocupação passou a ser o cinema da voz do outro, defender a diferença e impor sentido às vivências. Para concluir o livro, o autor faz um ensaio sobre Glauber Rocha, toda sua filmografia e sua importância não só para o cinema, mas também para a história do Brasil.

terça-feira, 25 de novembro de 2008

BarraShoppingSul traz 8 salas de cinema à Porto Alegre

O Cinemark inaugurado nesta última sexta-feira (21), no mais recente shopping center da capital gaúcha, BarraShoppingSul, possui 8 salas e 2.185 lugares. Atendendo a demanda do público da Zona Sul, que antes contava apenas com o Guion Sol, o novo cinema conta com lugares marcados, venda de ingressos através de auto-atendimento com cartão de débito, telas gigantescas e a maior sala da cidade – são 376 superando até mesmo o Cinemark Bourbon Ipiranga, por 28 assentos.
Com os mesmos padrões dos outros 44 cinemas da rede Cinemark no Brasil, este investe muito no conforto da platéia. As poltronas foram desenhadas de forma a oportunizar assentos para pessoas com necessidades especiais, são 44 assentos ao todo. Além disso, as vendas de ingressos estão disponíveis na internet, para evitar o deslocamento até o local antes do filme. O cinema é equipado com a mais alta tecnologia, uma das salas tem sistema digital de som com certificado THX, um desenvolvimento do cineasta George Lucas. Seguindo o exemplo do Unibanco Arteplex, na sala 5 estão instalando projeção 3D e deve ficar pronta no meio de dezembro.
A criação deste complexo incentiva a transição para o novo modelo da rede cinéfila, atraindo as pessoas pela diversidade de títulos em cartaz e concentrando-se em centros urbanos. Atualmente, Porto Alegre soma 65 salas de exibição cinematográfica. Ainda este ano, seis salas do grupo GNC serão inauguradas no shopping Iguatemi. No próximo ano, a estimativa é que a cidade passe Curitiba, que hoje possui 67 salas. Se isto ocorrer, a capital gaúcha ocupará a quinta posição no ranking das cidades com mais salas de cinema no país. Na relação número de salas versus população, a cidade mantém o 3º lugar entre as capitais, agora com um cinema para 21,5 mil habitantes. Vitória com 1/18,4 mil e Florianópolis com 1/20,8mil lideram a lista.

Para comprar os ingressos pela internet, visite o site do Cinemark!

ANIMATV realizará oficinas

As escrições para s Oficinas para Formatação de Projetos ANIMATV estão abertas. As oficinas têm como objetivo ajudar os participantes a promover o desenvolvimento dos pré-projetos propostos pelo Concurso ANIMATV. Oportunizando a discussão das séries clássicas e contemporâneas de animação e abrindo espaço para falar das técnicas e estética dos caminhos possíveis para efetuar o pré-projeto com sucesso. As inscrições devem ser realizadas via e-mail através dos formulários disponíveis no site. As vagas são limitadas a 30 participantes em cada Oficina. Caso o número de inscritos exceda esse número, será realizado sorteio para seleção dos participantes. Apesar das oficinas serem regionais, é permitida a participação de autores de outros estados em todas as oficinas.
Para participar das Oficinas os interessados deverão apresentar uma idéia inicial de série para faixa etária compreendida entre 6 e 14 anos. O pré-projeto deverá conter:
a. Conceito Geral (três linhas apresentando de forma resumida a proposta de série a ser trabalhada na Oficina);
b. Proposta de Série de Animação (dois parágrafos detalhando o conceito geral, com informações sobre o tema e o tom da série, seu enredo e conflitos centrais);
c. Personagens (descrição de pelo menos três personagens da série. Mínimo de duas linhas para cada);
d. Concepção Visual (três linhas descrevendo a concepção visual que se pretende dar ao projeto);
e. Arte Conceitual ilustrativa (mínimo de 1 desenho);
f. Argumento do episódio-piloto (mínimo de dez linhas);
g. Desenho de Produção.
OBS: É opcional a inclusão de trecho de estudo para storyboard; argumentos de outros episódios e orçamento.

Informações sobre Porto Alegre
Realização: TVE-RS
Apoiador: Santander Cultural
Local: Santander Cultural - Sala Oeste
Endereço: Rua Sete de Setembro, 1028 - Praça da Alfândega
Período: 01/12 a 05/12
Turno: 14h00 às 18h30
Carga Horária: 20h30
Vagas: 30
Oficineiro: Diego Stoliar
Responsável pelas inscrições: Vera Vergo
Email para inscrições: animatv@tve.com.br
Período de inscrições para a Oficina: até 27/11 às 19h00
Por Deborah Cattani

sexta-feira, 21 de novembro de 2008

Bruno Barreto traz relato desconhecido do ônibus 174

Sandro Rosa do Nascimento passou a ser parte do Brasil no dia de sua morte, 12 de junho de 2000. Ao seqüestrar o ônibus da linha 174 no Rio de Janeiro, na tentativa de realizar apenas um assalto, as coisas se encaminharam para outro lado. O sensacionalismo midiático, a apreensão dos passageiros e a pressão do Batalhão de Operações Policiais Especiais (BOPE) foram pequenos estímulos para uma tragédia que não só mudou a realidade no país, como também culminou em um documentário: Ônibus 174 de José Padilha.

Obcecado pela história e pelo documentário de Padilha, Bruno Barreto decidiu fazer um filme ficcional retratando a complexa trajetória de Sandro, mas o foco agora incidia para os bastidores. Ao saber que o protagonista havia sobrevivido à famosa chacina da Candelária, - meninos de rua entre 11 e 19 anos mortos e feridos por policiais na frente de uma igreja no Rio de Janeiro em 1993 - Barreto se apegou ainda mais ao relato. Mas seu ponto ápice foi a descoberta de um drama ignorado pelo jornalismo da época e pouco valorizado no documentário de Padilha, Sandro era órfão desde os seis anos, quando viu a mãe grávida ser morta a facadas por traficantes.“Fiz um filme sobre a condição humana e não sobre a condição social do Brasil. Sua história, baseada em acontecimentos reais, narra as trajetórias de uma mãe que perde o filho e de um filho que perde a mãe.”, define o diretor.

Enquanto isso, uma mulher que havia perdido o filho recém nascido e estava a procura deste, encontra Sandro. “Depois de pesquisar, descobri que ela tivera um filho chamado Alessandro cujo pai ela não tinha certeza quem era. Todos os dias de manhã, ela saía para o trabalho e deixava o menino com a vizinha. Um dia, ao voltar, a vizinha e Alessandro tinham desaparecido. Ela passou a viver obcecada pela idéia de recuperar o filho." , Barreto conta o drama desta mulher que acabou adotando Sandro. O diretor ainda ressalta: "o drama dessas duas pessoas em busca de afeto e que tentam sobreviver em condições totalmente desfavoráveis poderia acontecer em qualquer lugar e qualquer época”.

A reconstituição da vida do personagem não se esforça para ser extremamente fidedigna ao real, pois algumas mudanças foram feitas objetivando cativar o público. As cenas do seqüestro foram filmadas rigorosamente no mesmo local onde aconteceu a tragédia. “Escolhi filmar todos os exteriores – fora do ônibus – com câmeras de TV, colocando-as exatamente onde estavam quando o fato aconteceu, com um resultado que parecia material de noticiário”, diz o cineasta. Com roteiro de Braulio Mantovani, mesmo roteirista de Cidade de Deus, o filme promete ser um sucesso de bilheteria. A crítica já fez sua parte na divulgação, no momento em que se demonstrou interesse em captar o ponto de vista do outro lado o filme passou a ser alvo de diversas opiniões sobre o assunto. A equipe de Última Parada 174 espera transmitir a mensagem que a violência urbana urge em mostrar todos os dias, mas poucos prestam atenção.


Confira o trailer do filme:


quinta-feira, 6 de novembro de 2008

The Offspring em Porto Alegre

Na última terça-feira, a banda californiana The Offspring subiu no palco do Pepsi On Stage para dar início a sua turnê brasileira. O show, que estava previsto para começar às 22h, teve meia hora de atraso, o que colaborou para a ansiedade dos fãs. Seguidos da agitada abertura de Tequila Baby, banda porto-alegrense de punk rock, Dexter Holland, Pete Parada, Kevin Wasserman (Noodles) e Gregory David Kriesel invadiram o palco com Stuff is Messed Up do mais novo álbum, Rise and Fall, Rage and Grace.

Pela segunda vez no Brasil, o Offspring é considerado pai do Punk Alternativo que surgiu por volta dos anos 90. Nascida em 1984, a banda começou sua trajetória com o nome Manic Subsidal e seus integrantes eram Douglas Thompson (Vocal), Dexter Holland (Guitarra e Back Vocal), Gregory Kriesel (Baixo) e Jim Benton (Bateria). Os adolescentes se conheceram no ginásio da escola americana Huntington Beach e se inspiraram na banda local Social Distortion.

Apesar do evento ter começado com atraso, após algumas músicas houve um pequeno intervalo onde Noodles comentou ter gostado muito das músicas do Tequila Baby e elogiou a banda. Dexter Holland e Noodles fizeram algumas piadas e desafiaram a platéia a cantarem junto. Entre as músicas, se destacaram as mais antigas como: Come Out and Play (Smash, 1994), Pretty Fly (For a White Guy) e Why Don’t Get a Job (Americana, 1998).

Seu primeiro single ainda saiu em um disco de vinil pela gravadora Black Label Records com tiragem de mil cópias, contendo as canções "I'll Be Waiting" e "Blackball", mas não teve muito sucesso. Somente com o lançamento do seu CD inicial, The Offspring, que a banda começou a ficar conhecida pelo mundo. E depois da contundente música The Kids Aren't Alright eles se consagraram no ramo musical.

Com o primeiro lote de ingressos esgotados há quase uma semana, o show teve a presença de cerca de 15 mil pessoas superando as capacidades do local. Por causa do grande número de espectadores, muitas pessoas passaram mal e tiveram de ser retiradas pelos seguranças. Alguns fãs tentaram invadir o palco inúmeras vezes e foram convidados a sair também.

Mesmo o show sendo uma celebração do lançamento do mais novo CD, as músicas que embalaram a noite foram as de 97 e 98, fase muito boa da banda. All I Want, do disco Ixnay on the Hombre gerou uma forte interação com os fãs. Dexter tocou guitarra junto com Noodles e não poupou os solos. Greg K. trocou inúmeras vezes de baixo, a maioria da marca Ibanez, todos muito coloridos. Em uma das trocas, um dos captadores do baixo falhou e o baixista teve de trocar no meio da música, porém não houve interrupções.

A banda foi uma das primeiras a disponibilizar músicas para download na internet. O disco Conspiracy of One(2000), foi lançado na internet uma semana antes de sair em CD, causando polêmica. Em 2005 a banda veio a Porto Alegre lançar sua coletânea com os hits bem sucedidos.

Para encerrar, os californianos voltaram ao palco com Self Esteem (Smash). Muita energia e pessoas chorando. Uma hora e quinze minutos de show, fãs gritando e jogando coisas no palco. No último acorde da música Dexter sentenciou o cansaço e encerrou o show com um “it’s over” (traduzindo: acabou) para o desespero dos fãs que ainda esperaram até os instrumentos serem desmanchados para se convencerem de que o show havia, de fato, terminado.

Site Oficial: The Offspring Dot Com
Site Oficial no Youtube: OffspringTV

segunda-feira, 3 de novembro de 2008

60 anos de PUCRS, 14 andares de biblioteca

A maior e mais tecnológica biblioteca de toda a América Latina inaugura nesta sexta-feira, dia 7 de outubro. A nova iguaria terá 21 mil metros quadrados com tecnologia avançada de rastreamento e identificação de documentos, auto-devolução e auto-empréstimo de obras. É o fim das multas e dos papéis burocráticos! A abertura tão esperada, por alunos e professores, começa as 10h e vai dar início às comemorações do aniversário de 60 anos da Pontifícia Universidade Católica do Rio Grande do Sul. Uma série de atividades está prevista, entre elas o lançamento de um livro sobre a história e trajetória da universidade gaúcha.

Para saber mais sobre a Biblioteca Central Irmão José Otão, acesse o site:
http://www3.pucrs.br/portal/page/portal/pucrs/Capa/Noticias?p_itemid=1041420


Deborah Cattani

Curso debate comportamento da mídia brasileira

Promovido pelo Grupo de Pesquisa, Comunicação, Economia Política e Sociedade (CEPOS) o curso “Mídia, Controle e Democracia” contou com seis encontros durante a semana passada. Com objetivo de introduzir uma análise crítica dos meios midiáticos brasileiros ao público, o evento trouxe grandes nomes da Comunicação Social para ministrar aulas abordando tópicos pré-selecionados.

Para os que não puderam comparecer nas palestras, uma equipe de estudantes e professores da Universidade Federal do Rio Grande do Sul (UFRGS) transmitiu via internet todo o evento usando um sistema on-line chamado UStream TV. A organização também disponibilizou um endereço no MSN para que todos os espectadores virtuais pudessem dar sua opinião a respeito do assunto e fazer perguntas aos palestrantes. Um coletivo de Teresina, no Piauí, acompanhou o evento dessa forma.

Laurindo Leal Filho, professor da Universidade de São Paulo (USP), e Valério Cruz Brittos, professor da Universidade do Vale do Rio dos Sinos (Unisinos), comandaram a abertura do curso com um debate perspicaz abordando o tema “Comunicação, Capitalismo e Políticas Públicas”. As cinco aulas que ocorreram de segunda à sexta-feira, foram sediadas no auditório do Sindicado dos Técnicos do Tesouro do Estado do Rio Grande do Sul (Afocefe), centro de Porto Alegre.

Laurindo Leal mal obteve a palavra e já discursou sobre os males que a imprensa brasileira vem causando. Segundo ele, o povo é manipulado pelas grandes redes de televisão, onde a indústria discute todo tipo de assunto, exceto ela mesma. “A mídia diz que estamos na sociedade da informação, informação do que? Estamos na sociedade da fome”, afirma o professor ao tratar do assunto. Em suas palavras, é a mídia quem cria novas necessidades para a permanência do capitalismo atual. E ele explica parafraseando Karl Marx: “Estamos em uma crise capitalista. O pensamento da classe dominante se torna dominante”.

Após o simpósio, muitas perguntas foram estimulando ainda mais o debate. A associação Brasileira de Radiodifusão Comunitária (Abraço - RS) marcou presença contestando a falta de interesse dos governos em investir na comunicação como comunhão, processo democrático. Entre os espectadores, a presidente do Conselho Regional de Psicologia, Ivarlete Guimarães de França aproveitou a deixa para relembrar o movimento nacional, “Abaixo a Baixaria na Televisão”, e questionar as novelas atuais.

Outros docentes da área ministraram tópicos em torno assunto em voga. Para fechar o curso, uma atividade especial, realizada no sábado (1), na Sede Campestre da Afocefe, tratou da recente fusão da Brasil Telecom com a Oi, da legislação da comunicação do Brasil e o andamento dos processos jurídicos de concessão de outorga das rádios comunitárias no Rio Grande do Sul.


Sites:
http://www.crp07.org.br/index.php - Conselho Regional de Psicologia
http://www.proconferencia.com.br/ - Movimento Pró-Conferência Nacional de Comunicação
http://mocambiquebrasil.blogspot.com/ - Observatório da Digitalização, Democracia e Diversidade (DDD)

quinta-feira, 30 de outubro de 2008

CEN promove cinema para todos

As primeiras duas semanas de outubro agitaram as ruas da capital gaúcha com o Festival de Cinema de Porto Alegre - CineEsquemaNovo (CEN). Aberto oficialmente pelo Musical Amizade no sábado (11) na sala P. F. Gastal, 3º andar da Usina do Gasômetro, o CEN realizou mostras, shows e entregou prêmios para os filmes inscritos na competição. Uma festa temática lotou o Bar Ocidente, na mesma noite, com título de Pulp Friction, fazendo menção a um clássico das telas cinematográficas.
O festival ocorre todos os anos e conta com a curadoria do professor do curso de Produção Audiovisual na Pontifícia Universidade Católica do Rio Grande do Sul (PUCRS), Gustavo Spolidoro. Durante o evento, o cineasta exibiu dois de seus filmes mais recentes: Ainda Orangotangos, filme que relata uma Porto Alegre atual em um único plano-seqüência experimental e se baseia nos contos do escritor gaúcho Paulo Scott; e De Volta ao Quarto 666, explorando a questão do futuro cinematográfico através dos pensamentos do cineasta Win Wenders, também fascinou os espectadores presentes.
Apesar de o CEN se passar no sul do Brasil, recebe trabalhos de todo o país para a mostra competitiva. Entre as categorias, a mais ansiada foi a mostra Sala de Aula, coletânea de curtas selecionados rigorosamente pela comissão organizadora do festival - de alunos dos cursos de Jornalismo, Produção Audiovisual e Cinema. As exibições desta categoria ocorreram dentro das universidades da capital e da grande Porto Alegre. Os participantes podiam classificar a atuação dos filmes, após assistirem as sessões. Os temas variaram muito, desde filmagens sobre o significado de uma palavra em dialeto indígena até uma entrevista com Álvaro Guimarães, jornalista e diretor de Caveira, My Friend!.
No cinema cofre do Santander Cultural a mostra Vanguardeiros Históricos reavivou três grandes obras do cinema mundial: Um Cão Andaluz (1929) de Luis Buñuel e Salvador Dalí, Entr'acte (1924) de René Clair e Francis Picabia, e Le Ballet Méchanique (1924) de Fernand Léger e Dudley Murphy. Os filmes foram muito bem recebidos pelo público, em sua maioria estudantes de cinema, professores e amantes da sétima arte. "É bom que às vezes alguém de acesso a essas coisas para quem tem interesse", comenta Rafael Brayerd Lima, 17 anos, estudante.
Além das sessões gratuitas de cinema, o CEN possibilitou o acesso para as pessoas com poucas condições financeiras. No dia 16 de outubro, o filme “Povo Lindo, Povo Inteligente” foi exibido no Clube das Mães (Rua Curupaiti, 915) no bairro Cristal, Zona Sul de Porto Alegre. A história se passa em Piraporinha, periferia de São Paulo, onde foi retratado o ambiente multicultural que há seis anos se chamou “Sarau da Cooperifa” (Cooperativa Cultural da Periferia). Em seguida, um debate com o diretor deste, Sérgio Gagliardi, e o escritor, Alessandro Buzo refletiram sobre os rumos da disseminação cultural em comunidades carentes. A atividade foi apoiada pelo Projeto de Descentralização da Cultura da Prefeitura.
Sexta-feira (17) ocorreu o encerramento, seguido da premiação dos filmes destaques. O Fim da Picada, de Christian Saghaard, levou o primeiro lugar entre os longas-metragens pelo júri de premiação. Nos votos do júri popular, o longa mais condecorado foi Pan-Cinema Permanente, de Carlos Nader. Ticiano Monteiro e Guto Parente conquistaram o prêmio de melhor curta com Espuma e Osso, segundo o júri da premiação. A Cozinha Maravilhosa, de Juliano Reina, também ficou em primeiro lugar na categoria curtas, pela decisão do voto popular.


Vídeo do Show do Musical Amizade





Link do site do evento: CineEsquemaNovo

segunda-feira, 20 de outubro de 2008

Estamos todos cegos

Finalmente fui ver o filme do Meirelles. Apesar da crítica brasileira odiar tudo o que agrada o grande público, achei que a parceria Saramago Meirelles caiu muito bem. O filme não precisa ser extremamente fiel ao livro. O livro é interpretado diferentemente por cada um de nós que o lê. O filme é uma visão daquele que o faz. Mas voltando ao assunto, a trama é o que importa. A dramatização, os efeitos, tudo isso apenas contribui para que a mensagem seja mais clara do que aquilo que está embaixo dos nossos narizes: ESTAMOS TODOS CEGOS!
Vi a crítica falar que o ser humano não é capaz de ser tão grotesco como na suposição de Saramago. Onde uma epidemia de cegueira rapidamente se alastra pelo mundo e por medo da contaminação, aqueles que ainda não foram atingidos decidem isolar os doentes. Presos entre 4 paredes e em condições precárias, os cegos se esquecem das noções de ética ensinadas na escola e nas famílias e partem para a guerra pela sobrevivência. As pessoas pensam que somos racionais. Que somos os únicos animais racionais na terra. Se somos animais como podemos ser racionais? O que quer dizer ser racional? Ter a habilidade de criar tecnologia ou matar uns aos outros por ganância?
Quem disse que os macacos não são mais racionais que os seres humanos? Afial, macacos nunca entraram em guerra, nunca atiraram uns nos outros e com toda certeza macacos sabem que precisam da cooperação de um grupo para manter a sobrevivência. Na minha sincera opinião, continuamos em um estado primitivo, em uma cegueira que nos impede de ver o próximo. Nossa única preocupação: nosso umbigo. Criticar o outro é a única solução de não ver os próprios erros. Uns passam horas tentando achar um defeito, em vez de simplesmente tentar absorver o que há de bom em algo ou alguém. Outros, tentam ser heróis, mas nada fazem para mudar o que vivemos. O mundo não está em paz, e com certeza morre mais gente hoje em dia do que na época da inquisição e das lutas medievais. Somos animais selvagens, lutando não por comida, mas por posses. Posses essas que não podem ser levadas conosco. A única coisa que nos pertence e conosco permanece, é o que somos, tudo o que aprendemos e somente isso. Se deixarmos o mundo nos cegar por mera ganância e egoísmo, não nos resta nada se não a guerra.
E guerra, mata.
Deborah Cattani

quinta-feira, 9 de outubro de 2008

Macacos, anarquismo, cinema: Spolidoro é o cineasta do ano

Mal comemorada a estréia de “Ainda Orangotangos” e o lançamento de “De volta ao Quarto 666”, Gustavo Spolidoro já fala sobre seus projetos futuros. Professor do curso de Produção Audiovisual da Pontifícia Universidade Católica do Rio Grande do Sul (PUCRS) e cineasta, Spolidoro pretende realizar dois filmes até o início de 2009. Mesmo com as aulas e as idéias, o cineasta faz parte também do festival Cine Esquema Novo, como curador, e administra o Clube do Silêncio junto de três colegas de profissão: Gilson Vargas, Fabiano de Souza e Milton do Prado.
Nascido no início dos anos 70, em Porto Alegre, e formado em Comunicação Social pela faculdade em que leciona, Gustavo Spolidoro surpreendeu a crítica nos últimos dois anos. Baseando-se em seis contos do livro Ainda Orangotangos (R$23,00) do escritor gaúcho Paulo Scott, o diretor decidiu produzir o primeiro longa-metragem com apenas um plano-de-seqüência, totalmente sem cortes. São 81 minutos de pura adrenalina pelas ruas da capital do Rio Grande do Sul, mostrando a cidade como nenhum filme ousou antes. Estreado dia 22 de setembro do ano passado em uma sessão surpresa no Rio de Janeiro, o longa está rodando o mundo em festivais cinematográficos.
“Quando eu vejo um filme, eu quero que esse filme cause alguma coisa em mim. E quando eu faço um filme eu penso a mesma coisa”, Spolidoro comenta em relação ao sentimento de ansiedade que “Ainda Orangotangos” provoca nos espectadores devido ao seu ritmo exacerbado. “O take único dá essa sensação de não respirar”, ele enfatiza. Além dessa técnica, o filme é feito com a câmera na mão dos cinegrafistas, dispensa tripés, registrando tudo como se fosse o olhar de uma pessoa qualquer; Spolidoro esclarece: “a intenção era que a câmera estivesse dentro da história, que a câmera fosse nós, os espectadores”.
Em cartaz desde o dia 29 de agosto, o filme teve dois meses de ensaios e quatro meses de pré-produção, o que facilitou muito a integração entre os atores. Durante a captação, Spolidoro produziu o making of do longa utilizando uma segunda câmera nos bastidores. Sua esposa, Patrícia Goulart, e sua filha, Aimée Goulart Spolidoro, participaram o tempo todo dos preparativos. O elenco principal é formado por: Karina Kazuê, Lindon Shimizu, Kayode da Silva, Janaína Kremer, Renata de Lélis, Artur Jose Pinto, Nilson Asp, Arlete Cunha, Leticia Bertanga, Roberto Oliveira, Marcelo de Paula, Girley Paes, Heinz Limaverde, Rafael Sieg e Juliana Spolidoro.
A trilha sonora chama atenção com músicas que marcaram época no rock gaúcho, entre elas, o clássico “Amigo Punk”, em versão tango-gaudério, com a participação de Arthur de Faria & Seu Conjunto e Gilson Vargas, nos vocais. “Morte por Tesão”, dos Cascavelletes, remodelada pelos psychobillies da Damn Laser Vampires também marca presença. Ao todo são 16 faixas que compõem a trilha, incluindo o Hino do Sport Club Internacional assobiado pelo ator Nilsson Asp.



O cinema está mais vivo do que nunca
Nas palavras pronunciadas por Win Wenders no curta-metragem, De Volta ao Quarto 666, está a essência da resistência do cinema. Recriando o cenário do documentário Quarto 666, de Wenders, elaborado em Cannes, Spolidoro expõe a criatividade e faz com o cineasta alemão o que este fez com outros cineastas em 1982 na realização de seu filme. Qual o futuro do cinema? A simples pergunta parece não ter resposta. Não se sabe ao certo. Michelangelo Antonioni previu sem querer a era digital ao responder esta questão diante de um filme de 16mm.


Agora é o diretor quem está do outro lado da câmera e tem de filosofar sobre a emblemática. “Não é só o cinema que mente, as janelas também mentem”, o alemão pausado de Wenders invade as telas do computador contundentemente revelando que a manipulação faz parte da vida de todos. Ao contrário dos críticos, Wenders acredita que o cinema ainda pode e vai ser inovador. “Todo mundo é um potencial cineasta hoje em dia”, Spolidoro reforça essa questão. O filme faz parte do Fronteiras do Pensamento da Copesul Brasken, e junto com mais outros quatro curtas, forma a coletânea Ensaios Visuais (Boundaries of Thought: THINK TANK).



Anos 90 e o século XXI, um mix de resultados parecidos
“Eu tenho vários projetos agora. O que está mais próximo se chama Monte Vêneto, e se divide em dois filmes”, Spolidoro fala rápido, empolgado em contar suas novas idéias sobre o possível documentário da cidade de Cotiporã, na serra do Rio Grande do Sul, intitulado A História Inventada. O município, com aproximadamente 4 mil habitantes com forte colonização italiana, foi escolhido por ele devido ao fato de ser a cidade natal de sua avó. O plano do professor e cineasta é seguir cinco adolescentes durante as férias de verão com uma câmera na mão.
“O segundo filme será uma ficção baseada em coisas que aconteceram mais de 15 anos atrás, quando eu estava saindo da adolescência”, segundo Spolidoro, o relato conta a história de seu retorno á cidade, após dois anos de ausência, e o encontro com amigos que passaram por uma mudança radical. Ele explica: “esse amigos estavam muito evoluídos sexualmente, socialmente falando. E buscavam uma liberdade muito grande que uma cidade pequena às vezes não te dá”. Focando em uma faixa etária cheia de polêmicas, o diretor quer reproduzir como ocorriam essas modificações comportamentais.



Entrevista em vídeo

Partes: 1,2 e 3






domingo, 5 de outubro de 2008

The Cult deixa Porto Alegre e segue sua turnê

Numa explosão de uma hora e meia, dentro do Pespy On Stage (Av. Severo Dullius, 1995 – Anchieta), a banda inglesa The Cult deixou o público querendo bis na noite desta última quinta-feira. O show da turnê “Born Into This”, de seu último álbum lançado em 2007, já estava marcado desde o mês anterior e tinha seu primeiro lote de ingressos esgotados. Sem abertura de outra banda e com a casa lotada, The Cult subiu ao palco com alguns minutos de atraso, o que contribui para a ansiedade dos espectadores.

Formado pelo vocalista Ian Astbury em 1984, após largar a banda Southern Death Cult, The Cult se tornou popular após o lançamento do disco Dreamtime em agosto do mesmo ano. Álbum este que se mostrava avançado para sua época, misturando música gótica com progressiva e muito heavy metal. O single Spiritwalker foi seu primeiro hit de sucesso. Agora com apenas dois membros da formação original, Billy Duffy (guitarra solo) e Astbury, a banda conta ainda com John Tempesta (bateria), Chris Wise (baixo) e Mike Dimkich (guitarra).

Ao contrario do esperado, a banda soltou seus acordes mais fortes de guitarra e deixou de lado os clássicos dos anos 80, enfatizando seus discos mais atuais. Duffy foi a estrela da noite, depois de trocar mais de três vezes de guitarra, atingiu seu ponto máximo deixando os fãs boquiabertos. Grande parte da platéia tinha faixa etária acima dos 40 anos sendo fãs de longa data da banda. Há via pessoas de todos os lugares, inclusive do interior para prestigiar o show.

Anderson Rech, estudante de Educação Física da Universidade Federal do Rio Grande do Sul (UFRGS), atravessou a cidade de ônibus para assistir o único espetáculo em Porto Alegre. “Acho que o show foi muito bom, apesar de que faltaram alguns clássicos e o tempo foi curto”, relata Rech. Os pontos altos da apresentação foram as músicas, Spiritwalker (Dreamtime), I Assassin (Born Into This) e a balada Edie (Ciao Baby) do álbum Sonic Temple. Seguindo a turnê, a banda toca dia 7 de outubro em Curitiba, dia 8 em São Paulo, dia 10 em Brasília e dia 11 em Fortaleza.

Promessas de um novo mundo

Em exibição até o dia de hoje no Santander Cultural, por R$6,00 a inteira e R$3,00 a meia, o filme de Justine Arlin, B.Z. Goldberg e Carlo Bolado relata através de sete crianças o conflito Israel-Palestina. Documentário filmado entre 1997 e 2000, não se preocupa em dar uma aula de história, mas sim em levar à tona o que as crianças de ambos os lados sentem em relação a tudo o que se passa. Os personagens da vida real introduzem o espectador na visão de uma criança e demonstra como esta sabe lidar melhor com os problemas do que um adulto. Árabes e Israelenses, juntos de mãos dadas, as crianças não só chegam a uma conclusão que pode ser a solução do conflito, como também vencem a barreira do preconceito e se tornam amigas de verdade. Em 106 minutos, o jornalista Goldberg joga na cara de quem quiser que a guerra só existe porque ninguém quer pará-la. Tocante e realista o filme deveria ser obrigatório no currículo de todo mundo.

site do filme: http://www.promisesproject.org/

Deborah Cattani

quinta-feira, 25 de setembro de 2008

VIII Semana de Letras discute hermenêutica e globalização

A VIII Semana de Letras começou na última quarta-feira (24) deste mês, trazendo várias atrações, entre elas, o filósofo Draiton Gonzaga de Souza. O evento acadêmico da Faculdade de Letras (FALE), da Pontifícia Universidade Católica do Rio Grande do Sul (PUCRS), promove todos os anos, desde 2000, uma série de atividades e tem duração de três dias. Com entrada franca mediante a doação de um livro de literatura, nesta edição o tema central escolhido foi: “A Globalização Cultural Através das Letras”.

Organizado pela diretora da FALE, Maria Euníce Moreira, em conjunto com os alunos da graduação e pós-graduação, tem como objetivo discutir quais os efeitos da linguagem no mundo. Uma das palavras mais pronunciadas ontem foi: hermenêutica – que quer dizer interpretação do significado. Draiton Gonzaga de Souza, doutor em Filosofia pela Universidade de Kassel (Alemanha) e professor da Faculdade de Filosofia da PUCRS, falou sobre a importância da língua. “Nós não temos um acesso direto ao mundo, nosso acesso a ele é sempre através da língua”, enfatizou o professor.

Outro ponto alto da palestra, ministrada por Gonzaga de Souza, foi em relação ao desenvolvimento filosófico das letras. “A nossa compreensão sempre se dá através de um processo histórico, pois já estamos marcados por uma história que nos precede. Estamos sempre no passado”, refletiu o palestrante quando questionado sobre a emblemática, homem versus espaço e tempo. Ele ainda grifou que há limitações na interpretação humana: “a nossa compreensão é finita, parcial e a partir de uma perspectiva. O que nós fazemos permanentemente é discutir”.

Ainda na tarde de ontem, uma sessão de cinema seguida de um debate entre os professores da casa, Carlos Gerbase e Luis Antônio Assis Brasil, fez lotar o auditório do prédio nove da PUCRS. “Paisagem de Meninos”, curta-metragem brasileiro escolhido pelos alunos, retrata a trajetória de quatro amigos no interior do estado do Paraná. Na trama, os meninos aficionados por cinema são impedidos de ver o último episódio da sua série favorita por causa de uma nova regra imposta no teatro. Para resolver o conflito, os meninos criam um plano, mas um deles não consegue entrar no cinema e daí em diante passa a ser o personagem principal de seu próprio relato.

Gerbase fez uma crítica construtiva em cima do curta de Fernando Severo e depois falou sobre influência da literatura na projeção. “No cinema se concretizam coisas que na literatura o leitor tem que imaginar”, o professor de Produção Audiovisual da PUCRS explicou a dificuldade dos diretores de fazer com que o roteiro vire filme, seguindo a risca todas as sensações que a leitura causa no ser humano. Assis Brasil analisou por outra perspectiva, segundo ele, o filme demonstra como a mente pode ser fértil: “ele mostra todo esse poder que temos de imaginar”.

Para encerrar o dia, ainda ocorreram apresentações de trabalhos dos alunos e uma palestra sobre o ENADE, por Marisa Smith. Hoje (25), diversas oficinas foram postas a disposição dos inscritos no evento, tais como: “A Arte de Contar Histórias”, com Celso Sisto e “Leitura da Literatura e Multimídia”, com Ana Maunari e Daniela da Silva. Na sexta-feira, último dia do simpósio, haverá um debate com Valdir Flores sobre o tema “A Lingüística e o Lingüista em Tempos de Pós-Modernidade”. Logo após, apresentações de formandos e uma mostra cultural com Aureliano Hernández. Para finalizar, uma sessão musical com a banda The Robert’s será oferecida no auditório do prédio nove às 21 horas.

Veja AQUI o cronograma!

sábado, 20 de setembro de 2008

Asas para voar


Assisti esses dias o filme do Win Wenders, Wings of Desire. Já tinha o entrevistado algum tempo atrás, no Fronteiras do Pensamento, matéria que fiz para a Cyberfam inclusive. Mas ao ver este filme, percebi que algo mudou completamente. Uma curiosidade sobre ele, é que serve de palco para um filme norte-americano muito conhecido entre nós, Cidade dos Anjos. Um filme lento, onde até as entre-linhas são cheias de significado, tem como ator principal Bruno Ganz. Um anjo que cansado de ver a Berlim pós-guerra em preto e branco, decide se tornar humano. Soa familiar? Pois é. Mas Wings of Desire foi filmado no fim dos anos 80. Conta ainda com a Canção da Infância de Peter Handke, um maravilhoso poema sobre a guerra e nossas origens.

Site oficial do filme: Wings of Desire
Para ler a matéria na Cyberfam, clique aqui!

Deborah Cattani

quarta-feira, 27 de agosto de 2008

Wim Wenders e a odisséia do futuro cinematográfico


O cineasta alemão, Ernst Wilhelm Wenders, ministrou o módulo “Cinema além das fronteiras” do programa Fronteiras do Pensamento Copesul Braskem 2008 em Porto Alegre nesta última segunda-feira, 18 de agosto. O encontro se passou no Salão de Atos da Universidade Federal do Rio Grande do Sul (UFRGS). Wim Wenders, como é mais conhecido, se tornou ícone no cinema mundial por fazer filmes fora de seu país natal, durante suas viagens excêntricas. O tema da palestra foi a estréia do curta-metragem Teatro de Titãs, do cineasta baiano Fernando Belens.
Misturando mitologia e arte, o curta-documentário teve seu lançamento na Internet na madrugada do dia 19 de agosto. O filme revela os caminhos pelos quais passou o teatro do século XX e qual será seu destino no século XXI. Produzido na Escola de Teatro da Universidade Federal da Bahia, nos palcos do Teatro Martins Gonçalves, o curta é um monólogo do teatrólogo espanhol Fernando Arrabal.
“Nasci em um país quase apagado e quando menino, logo percebi que alguma coisa estava errada. Então, senti curiosidade de conhecer outras culturas”, afirma Wenders. Foi assim que começou a rodar o mundo fazendo seus filmes. Natural da cidade de Düsseldorf nasceu no conturbado ano de 1945, no final da Segunda Guerra Mundial. Formou-se na Escola Superior de Cinema e Televisão de Munique. Além de diretor de cinema é também fotógrafo, professor universitário em uma escola de arte e presidente da Academia do Cinema Europeu desde 1996. Ficou conhecido em 1971, com o documentário O Medo do Goleiro Diante do Pênalti.
Em 1978, Wenders e o americano Raymond Nicholas Kienzle decidiram fazer um longa-metragem de ficcional com a aparição dos dois cineastas. Amigos de longa data, nem tiveram tempo de começarem as filmagens. Ray descobriu um câncer que estava em fase terminal, mas não cedeu à doença e decidiu fazer o último filme de sua vida. "Nem chegamos a usar o roteiro e nem fizemos a ficção planejada. O filme se tornou um documentário sobre a morte de nick", Wenders comenta sobre a criação do filme: O Amigo Americano. "Foi assustador filmar a morte em trabalho", ele relata.
Defensor de uma visão ampliada do cinema atual, ele garante aos alunos que o ideal é conhecer de tudo um pouco. Wenders é do tipo que não se deixa abalar pelas críticas e abusa do bom humor: “Houve um tempo em que eu lia as resenhas, hoje nem leio mais. Sempre gosto dos meus filmes que levam a pior crítica”. Apesar de ter feito filmes com uma péssima aceitação da imprensa, chegou a ganhar grandes prêmios, entre eles um Urso de Prata no Festival de Berlim, por "O Hotel de Um Milhão de Dólares" (2000). Sabendo que Wenders é fã de futebol, a direção do Sport Clube Internacional enviou uma camiseta comemorativa à Tríplice Coroa com o nome do diretor gravado nas costas.



domingo, 24 de agosto de 2008

O Google dos aventureiros

Fruto das idéias de um irrequieto empresário, o inema.com.br, agora também em inglês, surgiu em 2001 com a proposta de juntar os relatos das experiências de aventureiros num único site. Deixou de ser uma simples idéia e se tornou realidade, assim como os sonhos conquistados dos que se tornaram parte do projeto. A página da web cresceu e se tornou mais do que isso. Hoje é um enorme portal de referência quando o assunto é aventura.

Com cerca de 34000 colaboradores de todos os lugares, o Inema organiza e publica as emoções daqueles que trocam a batalha do dia-a-dia por uma mochila e decidem encarar desafios pondo os pés na estrada. Além dos textos e imagens, dicas de lugares e eventos recorrentes ganharam maior espaço e agora se destacam norteando o destino dos possíveis viajantes.

O mundo não é tão grande que não possa ser percorrido de formas inusitadas, como em uma moto precária ou uma jangada. Afinal o cotidiano é demasiado turbulento e um pouco de ação ajuda a quebrar a tediosa rotina. O que se pode ver no Inema? Nada de atos fantásticos de superatletas, mas as conquistas de gente como a gente que sai do escritório, da empresa, do consultório, entre outros, para realizar um sonho de fim de semana ou dar andamento a um projeto de vida.

Através de fotos e depoimentos, a página mostra tudo que um evento pode oferecer de bom, bem como variadas possibilidades de roteiros, trilhas e mapas de lugares muito além da tela do computador. O termo aventura ganha maior significado abrindo espaço para que qualquer pessoa dê um grande passo e decida soltar sua alma aventureira, compartilhando esses momentos. A feira de motos na Pontifícia Universidade Católica do Rio Grande do Sul (PUCRS) ou escalar o Everest sozinho são exemplos do que você pode encontrar no site.
Deborah Cattani

quinta-feira, 31 de julho de 2008

Dança da Chuva

Na Esquina Democrática
Com os breves passos
O céu escurece em Porto Alegre
Chacoalham seus chocalhos
E murmuram cantigas
Aos poucos o sol brilhante se esconde
E nos rostos dos passantes
Pingos gelados se desmancham

Deborah Cattani

terça-feira, 8 de julho de 2008

Mais um João


Volto a falar mal do Brasil. Depois deste domingo, vejo que nada aprendemos com a violência. Continuamos a combatê-la com ela mesma. E o resultado é um caos absurdo. Nem adianta relembrar casos famosos que marcaram a memória do cidadão brasileiro. Nossa memória é temporária e controlada pela mídia. Não há mais o que se falar, nos resta agora agir.
Crimes como este não podem mais ficar impunes.


Deborah Cattani

segunda-feira, 7 de julho de 2008

Fim de Semestre

É isso aí! O semestre acabou, mas o blog não. Continuamos aqui para o que der e vier. Em comemoração as boas notas, aí vai as minhas últimas matérias da Cyberfam, num total de 12. Ainda falta uma para redigir e tive duas matérias que caíram. Tirando os imprevistos, foi um semestre bom. E bem corrido, hehehe.


Matéria Assédio Moral

Matéria Iberê Camargo

Matéria Alegría

Matéria Mudanças no Cristal

Matéria Show de Jazz

Matéria Curta Circuito

Matéria Maitê Proença

Deborah Cattani

quarta-feira, 18 de junho de 2008

Novas tecnologias e a ética profissional

O jornalismo predominante na atualidade é de cunho informativo, interpretativo e tende a ser o mais imparcial possível. Portanto, os veículos de comunicação geram notícias que contem a informação detalhada e explicada sem acusar ou julgar um pressuposto. No entanto, esta é apenas uma imersão da regra, não sendo o que realmente ocorre no jornalismo brasileiro.
Nos últimos anos, o avanço tecnológico foi tão rápido que o próprio ser humano não pode acompanhar normalmente. A demanda de informação se tornou incontrolável e, para isso foram criadas técnicas e regras para que houvesse uma maneira de se driblar a ansiedade de informação. Não obstante, a comunicação não alcança a cobertura de todos os fatos e por isso não há como interpretar-los em uma notícia como feito anteriormente.
O resultado destes avanços se deu em uma brecha entre o que é compreensível pela sociedade e o que a sociedade se sente obrigada a saber. Não conseguindo mais ver a diferença entre dados e conhecimento, porque a informação não diz o que deveria, o ser humano sofre dos males da ansiedade de informação. Richard Saul Wurman ressalta em seu livro (Ansiedade de Inform@ção – Cultura Editores Associados, capítulo 1, página 41) uma citação importante de Kingsley Widmer: “comunicação demais pode resultar em nenhuma comunicação (...)”.
Essa mudança social levou os jornalistas a quebrarem as regras, antes estabelecidas, para conseguir cada vez mais informação, à medida que o jornalismo atual vai ficando cada vez mais empresarial e priorizando a corrida pelo furo de reportagem. “O exagero começou a nublar as diferenças marcantes entre dados e informação, entre fatos e conhecimento”, diz Wurman a respeito do assunto.
A partir daí, se perdem os valores de ética jornalística para se ter a capa do jornal, para vender mais e para gerar lucros. A comunicação deixa de ser informativa e passa a ser comercial. Isto influência os jornalistas a competirem entre si para poderem sobreviver no seu mercado.
O jornalista esquece que suas funções eram: filtrar boas matérias das ruins, formar o leitor e auxiliar em uma boa interpretação do fato, passando apenas a buscar cada vez mais dados. E a busca de dados se torna cada vez mais perigosa. Uma vez que se junta as novas tecnologias com a falta de ética profissional, o resultado é uma mudança comportamental.
“Nova tecnologia, nova ética: toda vez que a humanidade dá um salto tecnológico, o resultado é um impacto na moral”, Mário Rosa explica em seu livro “A Reputação - na velocidade do pensamento: Imagem e ética na era digital” (Geração Editorial, página 53). Então, as novas tecnologias começam a facilitar o trabalho jornalístico, de forma que há um rompimento com a questão ética.
Não estou dizendo que o profissional deva ser obsoleto e utilizar-se somente de matérias sem tecnologia. Mas sim que existe uma falta de limitação deste uso, hoje em dia. O jornalista não respeita as regras, em sua maioria porque as desconhece ou porque teme perder seu emprego. Podemos ver que o uso de material indevido se torna praticamente obrigatório aos profissionais da área.
O sistema onde o jornalista recebia um dado e checava sua veracidade se tornou decadente em função do jorro de informação diária e da competição para dar mais informação aos leitores. A qualidade passou a ser um fator secundário, e predominou a quantidade. As folhas tentam competir com a internet, a internet compete com a TV, a TV compete com o rádio, o rádio com as folhas e a luta entre eles vai aumentando sucessivamente.
Com isso, ocorrem erros que antigamente eram inadmissíveis como, por exemplo, o ocorrido no dia 20 de maio deste ano: um incêndio em um prédio em São Paulo levou um jornalista do GloboNews a acreditar que um avião da empresa Pantanal havia se chocado com este. Sem checar a veracidade da informação, esse sujeito mandou os dados por celular para a central de redação do canal de noticiários que interrompeu a programação na hora e deu a notícia de supetão. Quando, na verdade, o incêndio teria sido provocado pela explosão de um botijão de gás em uma fábrica de colchões.
Situações como estas se tornaram corriqueiras, assim como falsas denúncias feitas com uso de câmeras escondidas. O programa da Rede Globo, Fantástico é um dos que mais utiliza este método e consequentemente sofre processos judiciais por isso. Existem diversos jeitos de conciliar as tecnologias com os valores éticos do jornalismo. Franklin Martins diz em seu livro, Jornalismo Político (Editora Contexto), que se deve respeitar sempre as fontes e principalmente a sociedade, já que estas são as lealdades de um comunicador.
Se existem princípios é porque eles são necessários para que a sociedade conviva em harmonia. A corrida pelo furo deve ser vista pelo profissional como algo importante, porém não como o principal. A concentração deve se manter na qualidade, na ética e no respeito. Matérias de cunho investigativo ou denunciativo com uso de câmeras escondidas podem ser feitas com auxílio do Ministério Público, sempre dentro da Lei de Imprensa (Lei nº. 5.250/1967).
Comunicadores devem fazer a sua parte e respeitar sempre as suas fontes e o leitor, para que sempre tenha fontes e ganhe o compromisso da sociedade consigo. Afinal, as tecnologias foram introduzidas ao longo dos anos para facilitar nossas vidas e não o contrário. Na minha opinião, vale usar todas elas, desde que sempre se mantenha dentro das regras estipuladas, preservando a integridade e imagem de todos os lados. Matérias aprofundadas, bem feitas e fidedignas atraem o leitor tanto quanto o furo de reportagem, e são maneiras de acabar com os problemas da ansiedade de informação.
Trabalhar os dados, interpreta-los e transforma-los em reportagem, documentário, ou qualquer outra forma de informação, leva a um resultado agradável a todos. Um profissional de verdade segue sempre essa moral e tenta ser o mais ético possível, e tenta estar sempre atualizado perante a sociedade.

Por Deborah Cattani

Conhecendo o sistema

Em busca de terminar com excelência um trabalho para a cadeira de Radiojornalismo I, fizemos um vídeo tour pela CBN/Gaúcha. O resultado, aprovadíssimo pelo professor, foi parar no Youtube, obviamente.



Por Deborah Cattani, Aline Costa e Silva, Mariana Ávila, Bruna Scirea e Gabriela Bonni.

Na trilha da política

Ambrosina Eloá Ferreira Porto abre a porta. Maria Eduarda, sua neta, tem aula de inglês. É cinco e meia, ela começa a falar sem parar. Quem vê nem imagina que essa mulher já viveu mais do que a sua idade permite, e ainda assim acha fôlego para ser mãe, avó e bisavó.
Os cabelos já estão brancos, mas o rosto disfarça sua idade. Eloá, aos 78 anos, tem a mesma aparência que tinha quando moça. O próprio significado de seu nome não poderia ser mais propício a sua alma. “Ambrosina vem de Ambrósia (do grego), que quer dizer divina. Eloá vem do hebraico, e quer dizer deusa”, conta que uma amiga achou os dados na internet. Os olhos azuis brilhantes tagarelam o tempo todo, enquanto as perguntas sobre sua vida a remetem de volta ao passado.
Eloá corre com os irmãos em um campo colorido. As crianças todas sorriem e brincam com os animais. É inverno e faz muito frio. Eloá olha para o céu e sente a brisinha gelada em suas bochechas vermelhas.
Filha de imigrantes nasceu um dia antes da atriz Grace Kelly, 10 de novembro de 1929, em Santo Ângelo das Missões. “Missioneira”, como se autodenomina, teve seis irmãos e uma infância feliz, mesmo com a ausência do pai, que se separou da mãe muito cedo e nunca mais voltou.
A partir dos sete anos, cresceu em Porto Alegre com a mãe, a avó e todos os irmãos. Aos 13 anos, já mostrava sinais da vida que seguiria, começou a se interessar por política sob influências de seu primo Nírio Carreira Machado, deputado federal pelo Movimento Democrático Brasileiro (MDB).
Conheceu Tiradentes através de livros de capas duras e páginas, hoje amareladas pelo tempo. “Ele era o meu herói”, ela fala como se Tiradentes tivesse sido seu primeiro amor. Mais tarde, passou a idolatrar Alberto Pasqualini. “Na porta do meu roupeiro, em vez de fotografias de artistas de cinema e rádio, eu tinha uma foto do Alberto Pasqualini”, confessa entre algumas risadas arrancadas de sua memória. Caminha até o quarto e pára diante do roupeiro de madeira maciça de carvalho e abre a porta. Entre recortes de jornais e fotos de família lá está, bem no meio, uma foto antiga e autografada do ídolo político.
Pasqualini filiou-se ao então Partido Trabalhista Brasileiro (PTB) quando Eloá entrava no auge de sua adolescência, seus 18 anos. “Na minha época não se dizia, não se ouvia falar na palavra adolescência”, lembra dos tempos em que pôde usar seu primeiro batom.
Diante do espelho Eloá admirava sua intimidade. Tinha um corpo bonito e maduro demais para sua idade, todo roliço. Seus lábios carnudos contrastavam com o nariz avantajado. Era uma mulher dura dentro de uma menina. Passou com os dedos um pouco de carmim nos lábios e levantou os longos cabelos ondulados nas pontas em forma de um rabo e ficou ali por horas fazendo poses diante de si mesma.
“Getúlio Vargas e Alberto Pasqualini foram os maiores políticos do Brasil, em caráter e tudo”, Eloá se emociona ao lembrar-se dos tempos em que a política tinha outro aspecto. De repente, olha para o gravador em cima da mesa lustrosa e diz com veemência: “Eu gosto de política, quem sabe até me arrependa de não ter entrado nela”.
Aos 19 anos, casou-se com Idelfonso Antônio Porto, seu adversário na política, pois fazia parte do Partido Social Democrata (PSD), e adversário no futebol, já que era colorado. Eram adversários até mesmo no futebol do interior gaúcho, Eloá torcia pelo Ypiranga Futebol Clube e Idelfonso, pelo Clube Esportivo e Recreativo Atlântico (CER Atlântico).
O casamento foi em Porto Alegre, no dia 14 de dezembro de 1950, um dia antes de Idelfonso colar o grau. Ele perdeu a formatura da faculdade para casar-se com Eloá. No mesmo dia foram para Erechim, cidade do marido. Por causa da pressa, as fotos do evento se perderam no caminho e Eloá não tem nenhuma lembrança deste além da sua memória.
Idelfonso era tesoureiro da Caixa Econômica Federal e havia tirado diploma em Economia. Eloá engravidou pela primeira vez aos 22 anos. E no dia 7 de setembro de 1954 teve seu segundo filho. Maria Beatriz, sua única menina, nasceu no dia 17 de setembro de 1959.
Aos 33 anos, em 1962, juntamente com o marido, três filhos pequenos e um casal de amigos, fez a viagem de sua vida. Em um Ford Vemagheti de 1923, ela e a família saíram de Erechim por Vacaria, seguidos de Ivete Hilda Pinheiro Garramones, seu marido e seu pai, João Pinheiro, em um fusca. “Não existia estradas, as estradas da época eram tudo de chão batido, mas mesmo assim, nós fomos”, relata absorta nos pensamentos.
O calor das pradarias vinha de encontro ao carro que mal tinha cobertura. As crianças dormiam no banco traseiro. Idelfonso, sério, concentrava-se na estrada. Eloá pensava em tudo, enquanto tentava manter os cabelos presos dentro de um lenço, protegidos do vento. Só a promessa de pisar em Brasília a fazia rir sozinha, era a realização de um sonho.
Em um único dia foram direto à Curitiba, onde pernoitaram. Depois foram a São Paulo. “Fizemos uma viagem muito arriscada”, ela menciona a condição das estradas, que estavam sendo ampliadas naquele ano. “São Paulo me assusta até hoje”, diz dona Eloá, que não gosta da capital paulista por causa do grande número de pessoas circulando nas ruas. Partiram para o Rio de Janeiro, onde ficaram um dia e meio. Ela conta que se emocionou com as praias, principalmente com Copacabana.
Os biquínis eram mais curtos que nas praias do sul. As meninas muito mais bronzeadas. Por um momento Eloá sentiu um frio na barriga, sentiu-se uma estranha naquele lugar, quase uma estrangeira. Mas a sensação durou pouco, logo que pisou na areia com seu traje de banho longo e sentiu os pés cheios de pequenos grãos teve vontade de gritar, mas se conteve. Com as mãos agarradas às de seus filhos, caminhou em direção ao mar.
Depois do Rio, chegaram a Minas Gerais. “Antes de chegarmos a Belo Horizonte, conhecemos a barragem Três Marias que estavam recém terminando”. Ela fala em tom exacerbado, fazendo a barragem surgir em cima da mesa e fluir por entre os candelabros de prata envelhecida. Chegaram à primeira estrada de asfalto. A missioneira exclama: “Maravilha!”. Depois de Barbacena e Belo Horizonte, seguiram para Ouro Preto.
“Todo brasileiro deveria visitar Ouro Preto. Para ser brasileiro tem que conhecer o nosso Brasil”. Mais uma vez acende sua grande paixão por Tiradentes. “Nunca pensei em conhecer o terreno, onde existia a casa dele, que foi salgado para não nascer mais nada, mas tinha uns verdes em cima e me emocionei que chorei. Que nunca na minha vida eu tinha imaginado em conhecer aonde residiu Tiradentes.”
Eles visitaram o museu da Inconfidência que ocupa a antiga Casa de Câmara e Cadeia de Vila Rica ainda na cidade de Ouro Preto. Eloá ficou extasiada com o relógio Ômega prateado de bolso, único pertence achado do Tiradentes e que se encontra lá em exposição.
Conheceram também o sino que bateu, conforme a lenda, no dia 21 de abril 1792 cinco badaladas pela morte de Tiradentes, mesmo proibido de bater para sempre. Voltando a dar o ar de sua graça celestial de novo somente quando Brasília foi inaugurada. Dali foram para Pampulha ainda em Minas Gerais. Irrequieta na cadeira, Eloá se disse insatisfeita. “Eu sou mais do clássico do que do moderno”, pois em Ouro Preto todas as construções feitas têm que respeitar o modelo clássico de 1700.
E cumprindo o destino de sua viagem, um dia depois, pararam o carro em Brasília. Levaram uma semana em estradas com péssimas condições para conhecer a primeira e única superquadra pronta. A emoção se dilata em sua face nesse momento. Eloá nunca foi uma mulher comum.
A primeira a saltar fora do carro, praticamente esquecendo-se da existência dos filhos e do marido, Eloá saiu pela rua a examinar cada detalhe de seu sonho perfeito. Maria Beatriz cochilava na traseira da Vemagheti. Os meninos acordavam lentamente, enquanto Idelfonso acendia um cigarro ainda dentro do veículo.
Eloá visitou o palácio através de seu compadre, Manoel Soares Leães, o Maneco. Conhecia-o por causa da sobrinha dele, também natural de Erechim. Maneco morreu aos 78 anos, no dia 7 de agosto de 2004, e foi piloto do presidente João Goulart. Teve seu depoimento transformado em um livro chamado “Meu amigo Jango: memórias de Manoel Soares Leães” (Sulina, 2004) pelo jornalista Kenny Braga.
“Conheci o palácio, um sonho. Fomos ao cinema do palácio, lindo, todo azul, sentei na cadeira da Maria Tereza [primeira dama]. Chovia muito então não podíamos sair para a rua”. Nesses momentos os olhos de Eloá ficam mais azuis do que nunca. Seu marido chegou a ser convidado duas vezes para trabalhar em Brasília, mas Eloá não deixou. Segundo ela foi uma mistura de medo e nostalgia. “Depois em Brasília não voltei mais”, completa extasiada.
Em 1968, seu filho mais velho, Arnaldo Carlos Porto, veio fazer o Ensino Médio em Porto Alegre e seu marido foi convidado para ser inspetor da Caixa Econômica Federal. Então, mudaram-se todos para a cidade grande. Ela conta que voltou a aceitar Porto Alegre somente em 1974, “quando eu voltava de Erechim, aqui na ponte do Guaíba, (...) e eu vi debaixo da ponte do nosso carro, ali na Avenida Castelo Branco, coisa que eu nunca tinha visto na minha vida. Um casal com duas crianças morando debaixo da ponte. E daí, eu me questionei, eu morava no Brigadeiro Sampaio, um belo apartamento (...), minha vida bem estruturada, meu marido, meus filhos estudando (...), como que uma pessoa vivendo uma vida boa como eu não ia aceitar viver aqui”.
Conheceu Montevidéu em 1973 com a excursão do colégio de Maria Beatriz, que tinha então 14 anos. Eloá sempre cuidou da casa, só parou de cozinhar em 1997 quando teve câncer, mas se operou e se recuperou. E depois voltou com todos os seus afazeres com a ajuda de duas empregadas. Pouco depois ficou viúva.
Seus filhos, Arnaldo Carlos Porto (advogado) e Antônio Augusto Porto (médico), saíram de Porto Alegre e foram viver, respectivamente, em Curitiba e Passo Fundo. E sua filha mais nova, Maria Beatriz, teve um casamento turbulento e foi morar com ela junto de seus dois filhos, Maria Eduarda e Tomaz. Em seguida, no ano 2000, descobriu um tumor maligno e veio a falecer, aos 41 anos, deixando os filhos, Eduarda com cinco anos e Tomaz com 11.
Ainda muito abatida Eloá teve que dar adeus à filha, mas tinha que continuar a ser uma mulher forte. Não podia se entregar. Havia ficado com duas crianças desamparadas para cuidar. Era mãe, mais uma vez na vida.
Até hoje os netos moram com ela, agora com 13 e 19 anos respectivamente. “Hoje eu sou a mãe deles, avó e mãe”, Maria Eduarda assente com a cabeça cada palavra que sai da boca de dona Eloá, enquanto acaricia a mão da avó.
Os três moram em um prédio na esquina da Rua André da Rocha no coração do centro da capital gaúcha. Um apartamento antigo, porém bem cuidado. Como toda casa de avó, é cheio de porta-retratos e fotos de família. Além de móveis antigos que carregam o ambiente e diminuem o espaço.
Livros é o que mais se encontra na sala. Ela possui a coleção intera das obras de Machado de Assis, da enciclopédia Barsa e dos romances de Erico Verissimo, entre outros. Sua casa tem um cheiro encantador, uma mistura de comida caseira com cheiro de infância na fazenda. O barulho da Avenida Senador Salgado Filho parece não incomodar Eloá.
Agora já é quase oito horas da noite. Acabou a aula e Eduarda vai para a sala chamar a avó. Eloá cochila ao som da TV Senado, seu canal favorito. Ela acorda e se desculpa. Caminha até a porta sonolenta, mas sempre falando. Agora fala mal do Lula, presidente do Brasil. Sua indignação com a politicagem nas assembléias brasileiras tem bastante fundamento. Ficamos na porta por mais uns 15 minutos. Entro no elevador e a porta deste se fecha. Ao descer os treze andares ainda ouço a voz de dona Eloá, que nunca se cansa de contar boas histórias.