Nunca desviei o olhar, mesmo quando criança. Apesar das histórias do velho do saco, nunca tive medo de morador de rua. Pelo contrário, gostava de conversar com eles e muitas vezes questionava minha mãe sobre porque eles não tinham casa para morar e o que de tão ruim eles tinham feito para estarem ali. Ser mendigo, pedinte, morador de rua, ou qualquer outro sinônimo, nunca me pareceu uma opção de vida. Sei porque já vivi situações limítrofes. Passar frio, fome, dor, raramente é uma opção pessoal do tipo: "ah, vou ali sofrer um pouco e já volto."
O que eu tenho ouvido de gente, de tudo que é idade, mas principalmente da minha (vinteepoucosanos), dizendo que mendigo tem mais é que se ralar, é algo impressionante. Não sei se fui educada demais, ou se a compaixão sempre foi um valor importante para mim, mas não consigo simplesmente desviar o olhar deste problema social e fingir que ele é de algum governo qualquer que não o meu individual (não vou entrar em questões acadêmicas, porque ficará longo e cansativo). Se voto, logo existo e pertenço à sociedade. Se pertenço, é problema meu sim. E cabe a mim cuidar do mais vulnerável. Essa é a minha lógica de vida, independente das minhas visões espirituais.
Agora está na moda ser saudável, ser gentil, ser "cool", mas só com que merece. As pessoas compartilham mensagens de vibrações positivas, de estímulo ao bem, mas não querem pagar os 10% do garçom, não dão esmola, não se enaltecem com uma alma carente pedindo cobertor para passar uma noite fria e chuvosa de inverno. "Gentileza gera gentileza", no entanto, quem reproduz a máxima raramente coloca a mesma em prática. As pessoas ficam esperando que a gentileza venha para que daí então seja retribuída.
Não digo isso porque passei mal num ônibus coletivo essa semana e ninguém me ofereceu o lugar. Não é rancor, é uma observação, quase uma incredulidade de como estamos cada vez mais bárbaros, com discursos felizes e otimistas. É fácil ser vegetariano e passar por um animal abandonado e não fazer nada. É fácil achar que todo restaurante tem esquema para roubar os 10% do garçom e achar que aqueles 3 reais a mais na conta não vão ajudar uma pessoa que recebe salário mínimo. É fácil falar mal de lixeiro, afinal ele é concursado, logo ele escolheu limpar o cocô do cachorro do seu vizinho do chão, porque, para ele, essa era a escolha. Só pode ser isso. As pessoas enlouqueceram e eu não vi quando isso aconteceu.
Talvez eu me sensibilize porque eu nasci no dia do gari. Talvez seja porque a área da empatia do meu cérebro é muito grande e eu me sinto mal quando quem está na minha volta está mal. Sou justiceira social por natureza, por instinto de sobrevivência. Não é questão de salvar todos os moradores de rua e dormir com a consciência tranquila, é questão de entender o problema, saber que se faz parte dele, que se pode tentar melhorar ele com as próprias mãos/atitudes, que é, sim, possível mudar o mundo e só depende de nós mesmos.
Eu espero que seja uma fase. Que isso passe. Que as pessoas voltem a conversar umas com as outras e conheçam as suas histórias de vida antes de pensar que a situação delas foi apenas uma escolha ruim. Espero que essa geração mude, cresça e veja que para gerar gentileza não se pode sentar e esperar, é necessário correr atrás, atrás dos outros, favorecer o oprimido, facilitar vidas SEM ESPERAR um retorno disso.
Deixo no fim deste post duas coisas essenciais, uma matéria sobre um morador de rua que está trabalhando na Copa do Mundo para sobreviver mais uns dias e um vídeo que deveria ser passado no jardim da infância para fins de universalidade da palavra empatia.
quarta-feira, 25 de junho de 2014
quarta-feira, 30 de abril de 2014
Voltei
Cansei, Calei
Fugi, Cresci
Andei e andei
Até que desapareci
Na solidão me econtrei
Me vigiei
Até que entendi
Fiquei, fiquei
Até que sorri
De novo sou
O que deixei de ser
Quando esqueci
Que era amor
Para pertencer
Agora a dor
Ei de apagar
E toda história
RE
CO
ME
ÇAR...
Fugi, Cresci
Andei e andei
Até que desapareci
Na solidão me econtrei
Me vigiei
Até que entendi
Fiquei, fiquei
Até que sorri
De novo sou
O que deixei de ser
Quando esqueci
Que era amor
Para pertencer
Agora a dor
Ei de apagar
E toda história
RE
CO
ME
ÇAR...
quinta-feira, 27 de março de 2014
Eu nunca mais liguei o chat
Perdi a vontade de falar com as pessoas.
São sempre os mesmos assuntos, sempre as mesmas pessoas.
Discussões infinitas sobre "política", sexo e a pegada da semana passada.
Até as músicas do momento são artificiais. É tudo tão pré-estabelecido, pré-calculado... Chega a ser plastificado, às vezes. Do que a gente come, ao que a gente fala e sente.
As pessoas na minha volta são todas iguais ou seguem todas os mesmos padrões, têm as mesmas opiniões, mesmos estilos, mesmas vontades.
Todos falam em liberdade. É tanta liberdade que me sufoca.
Se não concordamos, não fazemos parte. É errado questionar, a não ser que se questione a oposição.
A oposição quem é? Os militares, a polícia, os políticos que cortam árvores.
Não podemos falar que não estamos contentes. Não podemos ser diferentes, a não ser que sejamos parte de minorias.
Somos julgados por nossas aparências. Porque sou mulher branca tenho que ostentar uma vida feliz.
Se encontramos algo inédito somos burros, ingênuos ou estamos enfrentando nosso antecessores.
Se defendemos uma ideia que não é a de todos, somos fracassados, somos egoístas.
Falar se resumiu em dizer: "Oi, tudo bem?"
E as respostas são sempre as mesmas, porque é proibido dizer que não está tudo bem. A não ser que seja sobre a política, as obras da Copa ou a economia.
Não podemos mais ser humanos.
E é por isso que eu não ligo mais o chat, é por isso que eu descarto amigos e relacionamentos como se fossem de papel. Porque são de papel. Porque eu não quero mais gastar caracteres para dizer mais do mesmo. Porque eu vou enfrentar, afrontar e crescer se eu falar. E tudo isso é errado e não faz parte deste tempo.
Por isso que eu vou viver no meu silêncio de agora em diante.
Distante.
Obstante.
Amém.
São sempre os mesmos assuntos, sempre as mesmas pessoas.
Discussões infinitas sobre "política", sexo e a pegada da semana passada.
Até as músicas do momento são artificiais. É tudo tão pré-estabelecido, pré-calculado... Chega a ser plastificado, às vezes. Do que a gente come, ao que a gente fala e sente.
As pessoas na minha volta são todas iguais ou seguem todas os mesmos padrões, têm as mesmas opiniões, mesmos estilos, mesmas vontades.
Todos falam em liberdade. É tanta liberdade que me sufoca.
Se não concordamos, não fazemos parte. É errado questionar, a não ser que se questione a oposição.
A oposição quem é? Os militares, a polícia, os políticos que cortam árvores.
Não podemos falar que não estamos contentes. Não podemos ser diferentes, a não ser que sejamos parte de minorias.
Somos julgados por nossas aparências. Porque sou mulher branca tenho que ostentar uma vida feliz.
Se encontramos algo inédito somos burros, ingênuos ou estamos enfrentando nosso antecessores.
Se defendemos uma ideia que não é a de todos, somos fracassados, somos egoístas.
Falar se resumiu em dizer: "Oi, tudo bem?"
E as respostas são sempre as mesmas, porque é proibido dizer que não está tudo bem. A não ser que seja sobre a política, as obras da Copa ou a economia.
Não podemos mais ser humanos.
E é por isso que eu não ligo mais o chat, é por isso que eu descarto amigos e relacionamentos como se fossem de papel. Porque são de papel. Porque eu não quero mais gastar caracteres para dizer mais do mesmo. Porque eu vou enfrentar, afrontar e crescer se eu falar. E tudo isso é errado e não faz parte deste tempo.
Por isso que eu vou viver no meu silêncio de agora em diante.
Distante.
Obstante.
Amém.
quarta-feira, 19 de fevereiro de 2014
Sobre como me tornei uma "sexista intolerante"
Estava a toa na vida quando realizei que havia me tornado uma "sexista intolerante". Das piores, porque me depilo, porque uso batom. Tenho 24 anos, uma graduação, estou finalizando um mestrado e sou bem-sucedida em termos de carreira. Meu problema? Nenhum, do meu ponto de vista. Para os outros, eu deveria estar namorando, casando, tendo filhos. Não estou, não porque não quero, mas porque simplesmente isto não vai acontecer para mim e cada vez mais eu compreendo isso. O motivo? Meu "sexismo intolerante".
Não é de hoje que tenho "dedo podre" para homem e tendência em repetir padrões (recomendo a leitura deste texto do Ivan Martins sobre o assunto). Mas antes eu aceitava isso e sobrevivia. Agora, eu simplesmente não consigo mais. Levar uma relação adiante? Um sacrifício! Os caras só querem saber de amor livre e pegar geral. Não tenho nada contra, acho bonito, porém não é o que eu preciso. Abre parênteses aqui: preciso e, não, quero, porque a gente sabe, quando se conhece, que tipo de amor serve pra si.
Pois então, não é que eu esteja cansada das festas ou da vida noturna. Não é que eu ache ficar por ficar ruim ou sexo banal. Todos precisamos destas coisas em algum ponto da vida e não vamos cuspir nos pratos que nos serviram e servem tão bem. É que eu não entendo mais como podem as pessoas se tratarem só e sempre como objetos o tempo todo e nunca quererem alguém pra si (quantos advérbios!).
Eu já fiz mil textos neste blog sobre o amor, não vou entrar no mérito disto agora. Estou claramente em depressão nos últimos meses, sei do fato e venho buscando alternativas contra isto. No entanto, tenho ouvido cada uma dos homens que venho saindo que não tem como não piorar, como desacreditar nesta vida de "casada, com filhos e família". Cada vez me vejo mais solteira e menos tolerante a ficar com alguém (seja por uma noite, seja pra eternidade).
E, pasmem, tenho saído com intelectuais, homens estudados, que se dizem até feministas. Mesmo assim, eles têm a indecência e a cara de pau de comparar mulher a frango e dizer que não conseguem ficar sem "comer mais de um por vez". Sim, vou pagar meus pecados com este texto, mas é chegada a hora de por pra fora o que eu estou sentindo.
Eu sou uma vítima de abuso sexual. Eu nunca comento isso, raras exceções. Não por vergonha, apesar de já ter sido inúmeras vezes ridicularizada. Simplesmente porque eu vivo numa paranoia de que nunca vão acreditar em mim ou vão esperar que eu seja uma pessoa com uma certa postura de vida que eu não represento.
Eu tenho marcas (virtuais) que são pra vida toda, não tem terapia ou remédio que cure ou amenize esse sofrimento, o que torna ainda mais difícil a minha tolerância ao sexo oposto. Mesmo assim, eu faço um esforço para participar. Abre o segundo parênteses aqui: um dos motivos pelos quais estou falando tudo isso publicamente é porque me identifiquei com um personagem de um livro, o Charlie, do The Perks of Being a Wallflower (Stephen Chbosky). A obra é de 1999 e conta a história de um adolescente no início dos anos 1990 tentando sobreviver esta fase da vida. Ele fala muito em "participar" e não apenas observar "what's going on".
Eu sempre fui agitada e muito extrovertida, só que, agora, eu percebo que eu participo muito pouco. Estou na esquina, assistindo e não faço questão de me envolver. Hoje em dia, menos ainda. Me envolver pra quê? Pra ser comparada a uma coxinha? Já é duro que, para conseguir conquistar o olhar de alguém, eu preciso me submeter a uma ditadura da moda, eu preciso ser "bonita" e eu preciso sofrer com isso. Eu quero parar de me expor.
E como participar sem se expor? Como conquistar um futuro que eu possa me orgulhar de ser assim?
Dizem que eu preciso me valorizar. Me dizem coisas do tipo: "você está certa, não tem que tolerar mesmo, tem mais que bloquear." E assim eu vou, bloqueando uma vasta lista de ex-alguma-coisa-que-poderia-ter-sido. Ou apenas esquecendo, deixando de lado, vendo de vez em quando. Ou pior, arranjo um novo caso para me distrair. E na minha triste visão de "sexista intolerante", nenhum presta, nenhum nunca vai prestar, "são todos iguais".
Como acreditar? Como ter esperança? Eu estou numa busca constante de sentir, sentir qualquer coisa, para ter certeza de que não estou observando, que saí da esquina. Não é coisa do meu tempo, eu sei, eu deveria ser a favor do amor livre e estar pegando geral e achando tudo isso lindo. Só que alguém esqueceu de me explicar como se anulam certas coisas no caminho, o que se faz com o apego? Eu até confesso que pratico o desapego, depois que está tudo acabado. E é incrível o número de relacionamentos que eu acabo antes de começar.
Sabem, acho que o texto em si não é nem um desabafo, é mais um pedido de ajuda, um desespero de achar alguém que se sinta assim, que tenha uma fórmula mágica para mudar tudo. Sim, sou grandinha e sei que não existe tal coisa. Existe apenas o seguir vivendo e aprendendo e errando e se ferrando (para não dizer mais feio).
Não é de hoje que tenho "dedo podre" para homem e tendência em repetir padrões (recomendo a leitura deste texto do Ivan Martins sobre o assunto). Mas antes eu aceitava isso e sobrevivia. Agora, eu simplesmente não consigo mais. Levar uma relação adiante? Um sacrifício! Os caras só querem saber de amor livre e pegar geral. Não tenho nada contra, acho bonito, porém não é o que eu preciso. Abre parênteses aqui: preciso e, não, quero, porque a gente sabe, quando se conhece, que tipo de amor serve pra si.
Pois então, não é que eu esteja cansada das festas ou da vida noturna. Não é que eu ache ficar por ficar ruim ou sexo banal. Todos precisamos destas coisas em algum ponto da vida e não vamos cuspir nos pratos que nos serviram e servem tão bem. É que eu não entendo mais como podem as pessoas se tratarem só e sempre como objetos o tempo todo e nunca quererem alguém pra si (quantos advérbios!).
Eu já fiz mil textos neste blog sobre o amor, não vou entrar no mérito disto agora. Estou claramente em depressão nos últimos meses, sei do fato e venho buscando alternativas contra isto. No entanto, tenho ouvido cada uma dos homens que venho saindo que não tem como não piorar, como desacreditar nesta vida de "casada, com filhos e família". Cada vez me vejo mais solteira e menos tolerante a ficar com alguém (seja por uma noite, seja pra eternidade).
E, pasmem, tenho saído com intelectuais, homens estudados, que se dizem até feministas. Mesmo assim, eles têm a indecência e a cara de pau de comparar mulher a frango e dizer que não conseguem ficar sem "comer mais de um por vez". Sim, vou pagar meus pecados com este texto, mas é chegada a hora de por pra fora o que eu estou sentindo.
Eu sou uma vítima de abuso sexual. Eu nunca comento isso, raras exceções. Não por vergonha, apesar de já ter sido inúmeras vezes ridicularizada. Simplesmente porque eu vivo numa paranoia de que nunca vão acreditar em mim ou vão esperar que eu seja uma pessoa com uma certa postura de vida que eu não represento.
Eu tenho marcas (virtuais) que são pra vida toda, não tem terapia ou remédio que cure ou amenize esse sofrimento, o que torna ainda mais difícil a minha tolerância ao sexo oposto. Mesmo assim, eu faço um esforço para participar. Abre o segundo parênteses aqui: um dos motivos pelos quais estou falando tudo isso publicamente é porque me identifiquei com um personagem de um livro, o Charlie, do The Perks of Being a Wallflower (Stephen Chbosky). A obra é de 1999 e conta a história de um adolescente no início dos anos 1990 tentando sobreviver esta fase da vida. Ele fala muito em "participar" e não apenas observar "what's going on".
Eu sempre fui agitada e muito extrovertida, só que, agora, eu percebo que eu participo muito pouco. Estou na esquina, assistindo e não faço questão de me envolver. Hoje em dia, menos ainda. Me envolver pra quê? Pra ser comparada a uma coxinha? Já é duro que, para conseguir conquistar o olhar de alguém, eu preciso me submeter a uma ditadura da moda, eu preciso ser "bonita" e eu preciso sofrer com isso. Eu quero parar de me expor.
E como participar sem se expor? Como conquistar um futuro que eu possa me orgulhar de ser assim?
Dizem que eu preciso me valorizar. Me dizem coisas do tipo: "você está certa, não tem que tolerar mesmo, tem mais que bloquear." E assim eu vou, bloqueando uma vasta lista de ex-alguma-coisa-que-poderia-ter-sido. Ou apenas esquecendo, deixando de lado, vendo de vez em quando. Ou pior, arranjo um novo caso para me distrair. E na minha triste visão de "sexista intolerante", nenhum presta, nenhum nunca vai prestar, "são todos iguais".
Como acreditar? Como ter esperança? Eu estou numa busca constante de sentir, sentir qualquer coisa, para ter certeza de que não estou observando, que saí da esquina. Não é coisa do meu tempo, eu sei, eu deveria ser a favor do amor livre e estar pegando geral e achando tudo isso lindo. Só que alguém esqueceu de me explicar como se anulam certas coisas no caminho, o que se faz com o apego? Eu até confesso que pratico o desapego, depois que está tudo acabado. E é incrível o número de relacionamentos que eu acabo antes de começar.
Sabem, acho que o texto em si não é nem um desabafo, é mais um pedido de ajuda, um desespero de achar alguém que se sinta assim, que tenha uma fórmula mágica para mudar tudo. Sim, sou grandinha e sei que não existe tal coisa. Existe apenas o seguir vivendo e aprendendo e errando e se ferrando (para não dizer mais feio).
Ninguém percebeu como a rapariga escapava dos seus afazeres, nuns minutos de cada vez, para se ir insinuar ao rapaz com um amor baralhado, magoado, encurralado, sem ter mais para onde ir. E o rapaz reiterava o desprezo. Já não a queria. Dizia que ela o traíra acusando-o aos seus pais. Já não a queria. Dizia que ela era feia, que entretanto estava com dezoito anos de velha e que as raparigas mais livres começavam a aparecer pela praça ele ia lá colhê-las como das árvores. É só pegar e deitar-lhes a boca, porque foram feitas para os rapazes. As raparigas fora feitas para os rapazes, dizia ele mil vezes. A Isaura, crescendo toda, dava-lhe tudo se ele quisesse. Mas ele pensava que ela era um problema. Pensava que, afinal, não queria comprometer-se tão novo porque as raparigas livres abundavam e ele queria abundar na sorte de as ter por perto. [...] Ela entristecia de tal modo, e tanto se mostrava de vítima, que achava poder apelar a alguma piedade do rapaz. Ele, por outro lado, achava mais e mais que a Isaura era uma coitada, e que já era sorte que ele a usasse para o prazer. Porque usá-la assim já era dar-lhe o amor a que ela tinha direito. O único amor que teria direito. O amor dos infelizes.
Valter Hugo Mãe, O filho de mil homens, páginas 48-49.
Assinar:
Postagens (Atom)
