quinta-feira, 18 de junho de 2009

Profissionais visitam universitários para falar de carreira

Na primeira terça-feira de junho (02), os jornalistas Luiz Antônio Duarte e Sérgio Lagranha visitaram os alunos de Jornalismo da Pontifícia Universidade Católica do Rio Grande do Sul da disciplina de Assessoria de Imprensa para falar sobre comunicação empresarial e suas jornadas profissionais. Sócios da empresa ComEfeito Comunicação Estratégica, uma assessoria criada no ano passado em conjunto com o jornalista Carlos Alberto de Souza, Duarte e Lagranha iniciaram suas carreiras na redação de veículos locais, logo depois de pegarem o diploma.
“Na época em que nós trabalhávamos como repórteres, o assessor era discriminado por ser vinculado ao governo militar. Eles eram apelidados de ‘chapa-branca’ e muitas vezes tinham apoio do ditatorialismo para o qual trabalhavam, o que justificava o preconceito”, Duarte comenta sobre a dificuldade de se trabalhar com assessoria nos anos de chumbo, quando o campo era extremamente ligado à política e seu sistema ilegítimo no país. Por isso, a maioria dos jornalistas buscava emprego em jornais e rádios.
Só mais adiante, nos anos 70, que os assessores viraram a mesa e começaram a crescer no mercado de trabalho. Em parte para melhorar a comunicação das organizações, em parte para realmente fazer a comunicação das mesmas. Os profissionais mais experientes migraram para o novo ramo, enquanto que a nova geração de recém formados ia povoar as redações midiáticas. Mas nem tudo se consagrou com esse processo, segundo Lagranha, o processo provocou um desfalque nos veículos de pessoas com conhecimento histórico, momento do qual as matérias passaram a perder em conteúdo.
Então, surgiu espaço também para o empreendedorismo na comunicação e jornalistas, hoje em dia, têm a possibilidade de ter um negócio próprio. “É importante integrar todas as áreas da comunicação em uma assessoria”, ressalta Duarte, que acha que a abrangência é o caminho para fazer parcerias com outras áreas da comunicação. O conteúdo agora é prioridade, e já não importa mais o meio de divulgação. Lagranha complementa: “por isso é necessário que o profissional se adapte às particularidades de cada cliente”.

quarta-feira, 3 de junho de 2009

Logo-Rallye de Escrita Criativa

Texto escrito a partir das frases em negrito...


Ele chegou à porta, ligou a lanterna e deu um suspiro. Mais uma vez esquecera da conta de luz. Não era de hoje que ela vinha lhe infernizando a vida com suas loucuras literárias. Para sossegá-la, prometeu compra-la um Cervantes de capa dourada e pagar a conta vencida. Enquanto isso, ela observava os livros diante de uma vitrine iluminada. Cedo ela teve uma intuição: se comprasse o James Joyce, jamais ganharia o Cervantes. E deveria poupar o dinheiro, pois sabia que ele não poderia pagar os débitos com a companhia elétrica naquele mês.

Acabou desistindo do Joyce. Sabia que era muito cedo para começar a ler sobre outros assuntos. Saiu andando ladeira acima. Logo na primeira esquina encontrou um cachorro, um labrador surrado, magro e sarnento. Quis levá-lo consigo, mas refutou a idéia. O cão revelou-se indigno de sua raça. Chegou em casa, acendeu velas, colocou as pantufas, beijou o marido na face amornada e fez o jantar. Os dois dormiram antes do horário. Acabaram a noite sem mais surpresas.

No dia seguinte, ele amanheceu febril. Ela estava desde cedo colada ao rádio ouvindo atentamente sobre a morte da princesa inglesa. Ela foi trabalhar e pagar a luz, ele voltou a dormir. A TV, na sala deserta e escura, transmitia para as moscas da princesa; ele, entretanto, apenas agonizava. Mais tarde, quando ela retornou, ele estava mais disposto. Ficaram juntos debaixo dos cobertores como não faziam há muito tempo. O Governador, nesse dia, baixou um decreto instituindo uma nova condecoração. Para eles não fez diferença, eram, mais uma vez, um casal de namorados.

terça-feira, 2 de junho de 2009

Cresce o número de intolerantes à lactose

Pouco discutida, a inabilidade de produzir enzimas para quebrar o açúcar do leite é um dos distúrbios que afeta pelo menos cinqüenta por cento da população mundial, segundo organizações de saúde como o International Foundation for Functional Gastrointestinal Disorders (Fundação Internacional de Distúrbios Gastrointestinais).
Na realidade, o homem foi originalmente preparado para alimentar-se com leite apenas nos primeiros anos de vida, por isso a diminuição da produção da enzima lactase é comum conforme a pessoa se desenvolve. Mas com a domesticação do gado e o crescimento da indústria, o ser humano sofreu uma mutação genética para que o corpo se adaptasse àquela nova realidade. Hoje, a doença pode ser tanto adquirida como nata e seus sintomas são variados e prejudiciais, podendo causar doenças como perda de peso excessivo, anorexia nervosa, depressão, tumores gastrointestinais e até mesmo a morte.

A doutora Themis Reverbel da Silveira, Coordenadora do Laboratório Experimental de Gastroenterologia e Hepatologia do Hospital de Clínicas de Porto Alegre (HCPA) e professora da Universidade Federal do Rio Grande do Sul (UFRGS), alerta para a importância de um rápido diagnóstico e controle da doença: “a pessoa que tem fortes prisões de ventre, cólicas, gases, refluxo, diarréia repetidamente deve procurar um gastroenterologista”. O tratamento consta da ingestão de enzimas produzidas em laboratório e dieta.

Mas nem tudo é tão simples, no país existem poucos produtos disponíveis no mercado, com enzimas ou totalmente livres de lactose. Até mesmo medicamentos, tais como pílulas contraceptivas, não podem ser fabricados sem lactose. “Nos Estados Unidos as enzimas são vendidas nos supermercados, existem produtos específicos e os cardápios dos restaurantes mostram o que há em cada prato”, conta Suzana Rossi, 54 anos, cirurgiã-dentista, que é intolerante a lactose há um ano. Em Porto Alegre, alguns restaurantes já adotaram a prática, o Substância é um dos que oferece diversos pratos, incluindo doces, sem adição de leite ou derivados. E sites a exemplo do Sem Lactose, contendo receitas e dicas culinárias, circulam na internet.

O diagnóstico também era muito complexo, principalmente para as crianças. O principal exame usado até o meio de 2008 era o teste de tolerância, onde o paciente ingere em jejum um líquido com dose concentrada de lactose e durante duas horas obtêm-se várias amostras de sangue para medir o nível de glicose, que reflete a digestão do açúcar do leite. Agora o HCPA é o segundo centro brasileiro a oferecer a Análise Molecular de Hipolactasia Primária, um teste genético para descobrir a deficiência.

“Este exame é realizado por meio de uma coleta de sangue para análise de DNA, onde se verifica se o indivíduo possui ou não uma mutação no gene LCT, responsável pela síntese da enzima lactase-florizina hidrolase (enzima lactase)”, explica a professora Themis que teve um artigo publicado sobre assunto. O teste molecular é rápido e não necessita jejum, nem causa o desconforto da ingestão de uma sobrecarga de lactose, e o resultado sai em até 7 dias úteis. São dois os possíveis genótipos: CC - não-persistência da enzima lactase (intolerante à lactose); e CT ou TT - persistência da enzima lactase (tolerante à lactose). O exame ainda não é coberto por convênios de saúde e o valor é R$ 120,00 (custo de pesquisa) sendo realizado somente com solicitação médica.

quarta-feira, 27 de maio de 2009